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O que podemos esperar das inovações do setor de seguros? | Release Neurotrends

O Neurotrends 2021, evento realizado pela Neurotech com patrocínio da B3 e da FICO, além do apoio da Idea D e ABFintechs, ocorreu no dia 01 de dezembro, de forma totalmente online e gratuita para gestores e especialistas dos mercados de crédito e seguros.

Trazemos aqui uma análise completa do painel que aconteceu dentro do evento para o mercado segurador que tinha como tema  “O que podemos esperar das inovações do setor de seguros”.

Acompanhe esse conteúdo para entender as principais tendências e novidades para o setor na visão de especialistas e gestores de grandes empresas: 

Participantes:

Marco Antunes |Vice-presidente de operações, tecnologia, e inovação(Coo) da SulAmérica

Sain’t Clair Lima |Diretor de produtos Auto/Re e atuarial do grupo Bradesco

Marcelo Moura | Diretor de produtos na HDI Seguros

Fabio Leme | Conselheiro e Investidor de Startups

Domingos Monteiro | Fundador e CEO da Neurotech

Nosso CEO, Domingos Monteiro, foi o moderador do encontro trazendo como reflexão inicial como é possível conciliar, no mercado de seguros, todas as oportunidades desse mundo Figital que é altamente inovador, diante das mudanças do momento atual na gestão de grandes empresas para a construção de um futuro transformador, levando em consideração as pressões e urgências do presente, aliados com os entraves do passado.

“Como é possível conciliar todas essas oportunidades que estão se acelerando à nossa frente, diante das pressões do presente na gestão das empresas, e, ao mesmo tempo, das amarras que ainda temos no passado?”  

As oportunidades que chegam com o Open Finance e as possibilidades trazidas pelo 5G, por exemplo, são apenas algumas das revoluções que trarão impacto para as empresas de todos os setores.

Inovação aberta na área da saúde

No segmento da saúde, área que mais sofreu com instabilidades nos últimos anos, o forte investimento na inovação aberta é o que constrói um mercado tão próspero, segundo Marco Antunes, Vice-Presidente de Operações, Tecnologia e Inovação (COO) da SulAmérica. Esse fator se eleva principalmente pela enorme quantidade de dados existentes e gerados a todo momento, onde se faz necessário contar com tecnologia para tornar o processo mais dinâmico e ágil.

A partir dessas inovações, os dados são organizados e a extração de suas informações permite que sejam criados programas de saúde, intervenções para prevenção de doenças, indicações médicas e outras perspectivas que levam uma saúde de ponta para toda a população.

Exemplo dessa tecnologia auxiliadora pode ser vista no avanço do uso e aperfeiçoamento da telemedicina. Segundo Antunes, antes da pandemia da Covid-19, a SulAmérica realizava em média 500 teleconsultas por mês, enquanto que em 2021, esse número saltou para 700 mil consultas no ano. Isso demonstra a velocidade da aceleração e a necessidade de adaptação por parte das empresas. 

“Dados geram informação, informação gera oferta e decisão”

A frase dita por Saint’ Clair Lima, Diretor de Produtos Auto/RE e Atuarial do Grupo Bradesco Seguros, ressalta a necessidade das empresas de seguros estarem conectadas, como um ecossistema para entender a sua posição estratégica diante de cada oportunidade.

“A tendência é tornar tudo fácil, ou seja, transformar desafios em soluções que tenham conexão com o negócio e com o que ele preza, desde que seja possível simplificar a jornada do cliente”, relata Sain’t Clair.

Desse modo, o mercado segurador já investe em mudanças através de vistorias remotas, autovistoria, processos envolvendo sinistro, identificação de danos ou perda total, direcionamento do veículo e outros procedimentos que reduzem consideravelmente os custos. Por meio da tecnologia, é possível que o consumidor ganhe autonomia, mas que ainda tenha a segurança da empresa em cada passo.

Novas formas de fazer o que já existe

“Temos que nos juntar e construir aquilo que necessitamos para esse novo mercado, de maneira humana”, o trecho retirado de uma das falas de Marcelo Moura, Diretor de Produtos da HDI Seguros, comprova que o aporte de dados e informações permite que os empreendimentos possam ir além do que precisam, podendo entender de fato o que o cliente quer e espera. Ao mesmo tempo que é preciso considerar o aspecto humano no processo. 

A HDI contou com o apoio da Neurotech e, segundo Marcelo, conseguiu transformar os processos que antes eram 95% físicos em 80% digitais, mostrando que mesmo com a digitalização, os consumidores ainda se sentem confortáveis e seguros com o que a empresa está fazendo.

Isso acontece porque inovar não é criar o novo do zero, mas sim transformar o que já funciona em algo melhor, mais simples, eficiente e com valores justos. Este fator conquista os clientes, que veem os resultados na palma da sua mão.

Machine Learning já está presente e será cada vez mais relevante para seguros

No decorrer dos últimos anos, as seguradoras passaram a utilizar outras fontes de informação alternativas para aprimorar, não somente os modelos de risco, mas também de prospecção, propensão e vendas. O aperfeiçoamento dessas etapas um ecossistema consistente de informações que melhoraram a vida de corretores, canais de seguros e, principalmente, do consumidor.

Para Fábio Leme, conselheiro e investidor de startups, um novo estágio de transformações vem chegando com a IoT, o 5G e outras fontes que vão propiciar operações mais assertivas, utilizando dados internos e externos.

Com isso em vista, as empresas da área de seguros que desejam ser bem-sucedidas a médio e longo prazo precisam estar acompanhando esse movimento, testando o Machine Learning para utilizá-lo e potencializar os seus negócios.

O CEO da Neurotech, Domingos Monteiro, levantou uma série de questionamentos aos participantes. Confira a seguir os apontamentos e perspectivas dos especialistas!

Domingos: Marco, com a sua visão sobre ecossistema, como é possível imaginar a era dos dados em uma seguradora como a SulAmérica?

Marco Antunes: Vamos a uma analogia. É muito mais fácil lembrarmos quem foi o último atleta que conquistou a medalha de ouro dos 100m rasos do que um maratonista que correu 42 km. Isso porque a gente não tem lembrança daquilo que requer muito esforço e demora, lembramos de quem é mais rápido.

É assim que as empresas de todos os setores vão vencer, sendo rápidas no mundo do 5G, tendo os dados preparados e com um olhar aprofundado para o cliente, não para a concorrência. Para você ganhar uma corrida e ser reconhecido, é preciso ter os dados rápidos e os 3 P’s da inovação: personificação, plataforma e pagamento

Ecossistema é liberdade, é confiança!

No futuro, o cliente vai reconhecer as instituições sabendo o que a empresa gera de positividade para o ambiente, para a sociedade e para o governo. Dado é importante, é o maior ativo que os empreendimentos têm, mas sozinho não é nada, ele envolve muitas coisas, como a inovação aberta, governança, ética, LGPD e muitas outras coisas que fazem o negócio ser reconhecido.

Domingos: Como a entrada de carros autônomos e a aceleração advinda do IoT e do 5G podem impactar os modelos de aquisição de seguros? Com a pandemia, quais são os efeitos dessas novas tecnologias para as seguradoras, especialmente de auto?

Sain’t Clair Lima: Começando pela pandemia, o mercado segurador de automóvel acabou tendo um efeito dominó, onde componentes foram afetados e geraram um certo congelamento do mercado automotivo em termos de indústria. Logo, você não tem fabricação de veículos e então acaba valorizando o carro antigo, fazendo com que o cenário seja do encarecimento do seguro por conta dessa valorização.

Essa situação de inflação não era vivida, mas, hoje, está influenciando até mesmo aqueles que os dados consideram um “bom cliente”. Por isso, temos que trabalhar ainda mais com a propensão, pois o desafio atual é vender a proteção, tendo em vista que com o preço do combustível a R$8, em média, o dono do carro está quase começando a escolher entre sair com o veículo ou proteger o mesmo. A ideia é trabalhar muito bem estas questões de dados e evolução da tecnologia para saber como atender a essa demanda.

Quanto aos novos carros, eu faço uma analogia ao VAR (do inglês Video Assistant Referee), que chegou ao futebol para resolver muitos problemas, mas acaba gerando outros riscos. A tendência é que, mesmo com um carro totalmente autônomo, nesse primeiro momento nós devemos mensurar todos os riscos. Essa transição vai perdurar por um bom tempo e envolve muito investimento, principalmente ao olharmos para dentro do mercado brasileiro, onde em nosso segmento, que é móvel e mais complexo, se faz necessária uma boa infraestrutura.

Um aspecto importante é que devemos valorizar os dados e a maneira como são tratados dentro das companhias, sejam eles estruturados ou não. São eles que irão contribuir com uma melhor tomada de decisão de preço, oferta, propensão e assim por diante.

Domingos: Para complementar esse ponto dos carros autônomos, saindo de um momento desafiador que é a Covid-19 e olhando para frente com essas mudanças, como a gente se adapta como incumbente a essas transformações? 

Marcelo Moura: Ao olharmos para trás, em um determinado momento o dólar quase esteve abaixo do real e tivemos também outras situações que impactaram diferentes mercados, mas nós sempre nos adaptamos aos cenários. Sobre os veículos, já tivemos dúvidas semelhantes quando os carros com mais tecnologia chegaram ao Brasil, com sistemas de controle de frenagem e outras características que prometiam reduzir colisões, mas não foi bem assim que aconteceu. 

O próximo passo são os carros autônomos, que chegam prometendo muito, mas que trazem outros riscos, como o cibernético, os das funções não operarem como deveriam, dentre outros. Por isso, vamos ter que nos adaptar, mas a grande questão é como se preparar para algo que não é conhecido?  O ideal é trazê-los e guardá-los da melhor forma possível para o nosso Datalake.

Os nossos cientistas vão testar hipóteses e novidades o tempo todo, utilizando os novos Machine Learning, os modelos de propensão, de risco e de propensão à forma de pagamento, dentre outros.

A gente tem que ter a inovação na entrada, no serviço e na saída, precisamos muito dessa especificidade, dos testes, tentativas e erros, porque não tem como no mundo de hoje não trabalhar de forma ágil, é preciso testar, trazer de volta, melhorar e fazer de novo. 

Quem estiver na onda surfa, quem não estiver, fica pra trás!

Domingos: Qual a sua visão sobre o impacto do Open Insurance e Open Finance?

Fábio Leme: Ficar parado não é a solução! É preciso estudar a maior variedade de fontes de dados possíveis, pois elas irão mudar. O 5G, por exemplo, vai trazer mais dados e vamos aprender ainda mais rápido com essa agilidade para sobrevivência.

Isso se conecta com o Open Insurance e Open Finance, contudo, no caso específico do Insurance, se for harmonicamente implementado, ouvindo todos os envolvidos, como corretores de seguros, bancos e, principalmente, clientes, isso tende a ser bem-sucedido.

O caminho para isso é obter modelos de abertura e democratização da oferta, pois, assim, certamente teremos uma ampliação muito grande do mercado e, mais importante do que aumentar a concorrência, será atrair mais consumidores com ofertas adequadas a eles através da ciência de dados e a correta aplicação disso.

Para isso funcionar, a cultura de dados precisa estar permeando todas essas organizações incumbentes. Então, não adianta ter um bom estudo analítico, se os canais não ajudarem e não fizerem parte daquela cadeia.

Que o espírito do “aqui sempre funcionou assim” perca sua força por meio de uma transição harmônica para essas novas soluções. Não temos condições de prever, mas temos que estar prontos para lidar!

O Open Insurance tem chance de aumentar a competição, mas, antes de tudo isso, eu acho que ele precisa ser harmonicamente construído e, nesse sentido, a troca de dados diferentes é inevitável entre players de mercado, sempre em busca de beneficiar o consumidor e transformar isso numa grande oportunidade para todos os stakeholders.

Enquete revela as promessas com o Open Insurance

Durante o Neurotrends, lançamos um questionamento para quem nos acompanhava em tempo real revelar qual a sua opinião de modo geral sobre o Open Insurance, que propõe o compartilhamento de dados dos consumidores entre os agentes do mercado.

A enquete recebeu 146 respostas, sendo divididas em:

  1. 54,11% – Novos players entrarão nesse mercado com produtos diferenciados.
  2. 39,73% – A concorrência vai aumentar e as ofertas serão mais atraentes.
  3. 5% – O mercado de seguros vai continuar o mesmo.
  4. 4,11% – A concorrência não muda, mas as ofertas vão melhorar.

O retorno é otimista e demonstra as boas expectativas relacionadas ao que os participantes do painel de seguros abordaram, como a oferta de produtos que fornecem mais autonomia, sem perder a segurança e o lado humanitário do atendimento; e a busca constante das empresas em implementar as novas soluções de Machine Learning, aumentando consideravelmente a concorrência.

É possível afirmar que as inovações aliadas aos dados farão com que o mercado de seguradoras tenha amplas frentes de atuação em 2022, gerando ótimos resultados aos empreendimentos e aos consumidores.

Participação da audiência

Aqueles que acompanhavam o Neurotrends tiveram a oportunidade de esclarecer algumas de suas dúvidas com os especialistas de seguros. Confira as respostas a seguir!

  1. Na era da inovação, com a entrada de veículos autônomos (Tesla), sendo em tese um carro mais seguro em todos os aspectos, como seria o reflexo nos custos da aquisição do seguro? – Fred Lins Caldas

Como ainda estamos aprendendo o risco destes veículos, temos um caminho relativamente longo para termos a melhor precificação. O valor do carro elétrico é muito alto (pelo menos o dobro da IS média do mercado tradicional segurado), por mais que a frequência seja baixa de sinistro, a severidade será muito elevada (tendo em vista peças e valor do bem), sem dúvidas um desafio muito interessante para achar o preço ideal no seguro.

Um movimento inteligente é a seguradora própria da Tesla, pois, só em 2021, foram emplacados mais de 195 mil veículos da marca, um mercado de muito potencial para as seguradoras.

  1. Como fazer inovação aberta ao mesmo tempo em que se faz transformação digital em um mercado mais robusto como o de seguros? É melhor fazer a transformação digital primeiro? – Priscylla Karla Calado Cavalcanti

Sim, é melhor fazer a transformação digital (e de processos) primeiro. Uma empresa de um mercado tradicional, como o de seguros, precisa criar as condições necessárias para conseguir consumir as soluções da inovação aberta. Caso contrário, estaria investindo em inovação desconectada da realidade da empresa.

  1. Como a pandemia acelerou a inovação a ponto de levar o mercado de seguros a se reinventar? – Marcus Vicente de Santana

O mercado de seguros teve que trazer para o presente uma série de iniciativas ainda tímidas em 2020 de forma mais massiva. Um exemplo é a teleconsulta, pois somente em 2021 tivemos mais de 700 mil consultas realizadas através desta plataforma em uma grande operadora. Enquanto no ano de 2019, foram pouco mais de 500 por mês. Tal qual no mercado de automóvel, onde algumas seguradoras adotaram a vistoria do veículo para 100% dos casos sendo através de aplicativos.

  1. Como vocês veem o papel das insurtechs nas operações das grandes seguradoras? – Jean Favalessa

As insurtechs surgem como um dos maiores desafios de atrair a maior parcela das pessoas que não possuem seguro através de novos produtos e, também, uma experiência diferenciada do mercado tradicional. Por outro lado, as seguradoras já consolidadas possuem uma grande oportunidade de se adaptarem e lançarem novos produtos e experiências. Para os consumidores é o melhor cenário possível, um mercado mais competitivo, com inovações relevantes.

  1. A Tesla está sendo disruptiva no segmento de veículos e autosseguros. Como vocês estão se preparando para essa concorrência? – Marcio Valente Barbas

A Tesla é um case de sucesso e merece atenção, tanto na qualidade dos seus veículos, quanto na seguradora que lançaram. O preço do seguro é dado pela seguradora deles, através da experiência de condução e também de informações de score pessoal.

Com os dados de telemetria, a Tesla cria uma barreira gigante para que seguradoras consigam ter a mesma eficiência que ela na precificação. Fora que há uma série de benefícios para o proprietário de Tesla ter o seu seguro com eles também.

O que as seguradoras estão atuando é para ter o maior número de informações relevantes do bem e do segurado (respeitando a LGPD), para assim gerar o maior valor possível ao segurado, sendo em coberturas, experiência, preço, serviços.

A próxima edição do Neurotrends já está confirmada

Os especialistas que participaram deste painel agregaram muito conhecimento à audiência e facilitaram o entendimento das tendências que já são uma realidade para esse mercado que não para de crescer.

Com mais de 600 pessoas assistindo o evento simultaneamente e interagindo com os painéis, temos certeza de que o Neurotrends foi um sucesso e você não vai querer ficar de fora da edição 2022.

Quer rever alguma parte do painel de seguros ou do evento?

Acesse a gravação completa do painel de seguros.