
A confiança é a base de qualquer relação, e no mercado de seguros não é diferente. Quando um cliente contrata uma apólice, ele deposita a expectativa de que, em um momento de necessidade, estará amparado. Infelizmente, esse relacionamento é abalado por um problema crônico e desagradável.
A fraude em seguros de automóvel é uma atividade criminosa que distorce o equilíbrio do sistema, prejudicando drasticamente as seguradoras e, paradoxalmente, os próprios segurados honestos.
Neste artigo, você entenderá o que caracteriza essas práticas, os motivos por trás delas e seus principais tipos. Falaremos também sobre as consequências para quem é flagrado e, principalmente, como as seguradoras podem se fortalecer por meio de tecnologias para detectar fraudes. Confira!
Índice
Qualquer ato intencional de engano ou omissão cometido com o objetivo de obter um benefício indevido da seguradora. Isso pode ocorrer desde o momento da contratação do seguro até a apresentação de um sinistro.
A fundamentação do crime reside na intenção de lesar a empresa para obter uma vantagem financeira a que não se teria direito em condições legítimas. As motivações para esse crime são complexas e variadas, indo desde pressões financeiras até a puramente tirar vantagem com um ato indevido.
Enquanto vivemos em um contexto econômico desafiador, algumas pessoas enxergam o seguro como uma oportunidade para um ressarcimento fácil. A percepção de que "as seguradoras têm muito dinheiro" e a crença errônea de que se trata de um crime sem vítimas são fatores que alimentam essa mentalidade.
Sabemos que essa visão é profundamente equivocada. O custo dos sinistros fraudulentos é repassado para a base de clientes por meio do aumento dos prêmios, tornando os contratos de apólices mais caros para todos.
Os números não mentem e evidenciam a gravidade do cenário. Segundo a Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros (FENACOR), a modalidade de automóveis continua sendo a mais representativa em termos financeiros no que diz respeito à fraude.
Impressionantemente, ela concentra 34,2% de todo o prêmio ganho pelo mercado em 2024, superando até mesmo seguros de Pessoas - Coletivo (25,4%) e Patrimonial (17,3%). Esse dado é um alerta vermelho para o setor de seguros automotivos, destacando a urgência de medidas eficazes de combate.
Este dado alarmante ganha ainda mais relevância quando observamos que o mercado continua em expansão. Um recente estudo do INDS mostrou que a procura por seguros de automóveis teve alta de 3,69% apenas em julho.
Para combater o inimigo, é preciso conhecê-lo. As fraudes costumam ser divididas em duas categorias principais:
Envolvem o exagero em um sinistro legítimo ou a omissão/mentira na contratação do seguro.
Por exemplo, um motorista que sofre um pequeno amassado na porta e, ao acionar o seguro, inclui no boletim de ocorrência o conserto de um para-choque que já estava danificado anteriormente.
Na contratação, é quando o futuro segurado informa que o carro será estacionado em uma garagem fechada, quando na verdade ele fica na rua, para obter um desconto.
São crimes premeditados e mais complexos, nos quais a perda é intencionalmente criada ou simulada. Essas práticas resultam em processos criminais e prisão.
Vamos detalhar algumas das modalidades mais comuns:
Neste cenário, o condutor provoca um dano no próprio veículo, como bater em um muro, poste ou árvore, e alega que se tratou de um acidente de trânsito convencional ou mesmo um roubo.
O objetivo é que a seguradora cubra os custos de um reparo que, na verdade, foi intencional.
Esta é uma das formas mais perigosas de fraude. Dois ou mais motoristas combinam entre si para causar uma colisão, muitas vezes utilizando um terceiro veículo (conhecido como "laranja") que será o culpado oficial pelo acidente.
As batidas são frequentemente coreografadas para parecerem falhas do motorista inocente (a vítima do golpe), enquanto todos os envolvidos no esquema dividem o valor da indenização.
O proprietário do veículo o vende ilegalmente em peças ou para outro estado e depois registra um Boletim de Ocorrência alegando que o carro foi roubado.
A intenção é receber o valor da indenização por um bem que ele mesmo desapareceu.
Ocorre quando o segurado, após sofrer um sinistro, como um quebra de vidro ou um pequeno acidente, contrata um seguro que cubra aquele dano específico e, dias depois, aciona a seguradora alegando que o evento aconteceu após a contratação.
É uma tentativa de fazer a empresa pagar por um prejuízo que já existia.
As consequências para quem é pego cometendo fraude são severas. Em primeiro lugar, a seguradora irá negar integralmente o pagamento da indenização. Além disso, o segurado terá seu nome incluído em cadastros restritivos, como o Registro de Informações de Cancelamento por Fraude (RICF) do Sindicato das Seguradoras, o que praticamente impossibilita a contratação de qualquer tipo de seguro no futuro.
Do ponto de vista legal, a fraude de seguro é um crime previsto no Artigo 171 do Código Penal (estelionato), com pena de reclusão de 1 a 5 anos, além de multa. Se houver participação de peritos, despachantes ou outros profissionais, as penas são agravadas.
A batalha contra os fraudadores exige uma abordagem multifacetada, que combina inteligência de dados, tecnologia de ponta para tomada de decisões ágeis e processos automatizados.
Estas são as principais frentes de atuação:
A era da análise manual de cada sinistro ficou para trás. Hoje, é imprescindível o uso de sistemas de inteligência artificial e machine learning que cruzam milhões de dados em segundos.
Essas tecnologias identificam padrões suspeitos, conexões ocultas entre pessoas e eventos, e comportamentos anômalos que passariam despercebidos pelo olhar humano.
A análise de redes sociais e a checagem de dados em bases públicas também se tornaram ferramentas poderosas.
Os criminosos também se modernizam. Portanto, a atualização constante das ferramentas e dos conhecimentos sobre novas modalidades de golpe é o melhor caminho.
A adoção de blockchain para verificar a autenticidade de documentos e a integração de sistemas com órgãos públicos, como o Detran, são exemplos de como a tecnologia pode criar barreiras quase intransponíveis para os fraudadores.
As melhores tecnologias são ineficazes sem pessoas preparadas. Capacitar os colaboradores, especialmente aqueles na linha de frente do atendimento e análise de sinistros, para reconhecer os sinais de alerta de uma fraude garante segurança.
Um perito ou analista bem treinado é a primeira e mais importante linha de defesa.
Nenhuma seguradora combate a fraude sozinha com sucesso. A cooperação entre as próprias organizações, por meio de bancos de dados compartilhados, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), e com órgãos de polícia e o Ministério Público, desmantela esquemas criminosos complexos que atingem todo o segmento.
Utilizamos a inteligência de dados para transformar a jornada de seguros. Nossas soluções atuam de forma integrada em todas as etapas.
Análise de risco pré-contratação, verificando a consistência das informações fornecidas e identificando indícios que possam inviabilizar a emissão da apólice.
Avaliação para determinar o perfil real do potencial cliente, mitigando possíveis ameaças antes mesmo que elas ingressem na carteira.
Monitoramento contínuo para entender e prever comportamentos, ajustando estratégias de forma dinâmica.
Aqui, a nossa tecnologia brilha. Com algoritmos avançados, cruzamos dados do sinistro com informações e de terceiros para sinalizar, em tempo recorde, a probabilidade de o evento ser fraudulento, permitindo uma investigação mais aprofundada e ágil.
Para entender a importância da tecnologia na prática, veja como a MetLife está revolucionando a análise de negócios e melhorando processos para criar soluções inovadoras que atendem às necessidades dos clientes em um cenário de constante evolução:
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O combate à fraude em seguros de automóvel é uma luta que exige vigilância constante, investimento em inovação e uma cultura organizacional intransigente contra qualquer tipo de desvio.
As estatísticas mostram que o problema é real e significativo, mas as ferramentas e estratégias para enfrentá-lo estão mais acessíveis e poderosas do que nunca.
A fraude, no fim das contas, é um custo que a sociedade paga. Romper esse ciclo é um benefício para toda a cadeia.
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