Carregando...

Blog Neurotech

Compartilhamos nossas melhores idéias aqui.
Home / Blog / BANCOS E FINTECHS PODEM IMPULSIONAR CRÉDITO COMO ALAVANCA ECONÔMICA PARA AMENIZAR EFEITOS DA CRISE 

BANCOS E FINTECHS PODEM IMPULSIONAR CRÉDITO COMO ALAVANCA ECONÔMICA PARA AMENIZAR EFEITOS DA CRISE

Empresas precisarão de fôlego para sobreviverem à crise. Postura das instituições financeiras brasileiras será o divisor de águas entre a quebra de pequenas e médias empresas ou sua sobrevivência.

Breno Costa | Diretor de Clientes da Neurotech | 01 de Abril/20
crise varejo
Assim como todas as demais áreas da economia, a tendência do volume de concessões de crédito é de clara desaceleração. Mas, ainda assim, o mecanismo pode e deve ser uma das mais importantes ferramentas do arsenal econômico para amenizar os efeitos da pandemia do coronavírus no PIB brasileiro. A projeção para 2020 dada pelo relatório Focus de 13 de março, recuou para 1,68%. Há quatro semanas, o incremento esperado era de 2,23%. A tendência é que as perspectivas para o PIB recuem ainda mais nas próximas semanas. O Credit Suisse, por exemplo, cortou a sua estimativa de crescimento para zero.

Com a abrupta queda da demanda, empresas precisarão de fôlego para sobreviverem à crise e, portanto, será a postura das instituições financeiras brasileiras, tanto das grandes e tradicionais como das recém-chegadas fintechs, o divisor de águas entre a quebra de pequenas e médias ou sua sobrevivência. Tais estabelecimentos, geralmente familiares, não têm estrutura para aguentar semanas ou meses com demanda reduzida ou quase zero, como é o caso de bares e restaurantes. Isso não quer dizer, entretanto, que tenham problemas financeiros estruturais, mas sim que precisam de caixa para fechar as contas durante este período.

oferta de crédito

No caso das pessoas físicas, a necessidade de aumento na concessão de crédito pessoal será sentida no médio-prazo, pois a redução da renda e aumento do desemprego não são efeitos tão imediatos como a queda do capital de giro das PMEs. Mesmo assim, é preciso lembrar que o endividamento das famílias já era um problema pré-crise e que o cartão de crédito e o cheque especial, respondem por 80% do total. Não é de se descartar, portanto, um aumento na inadimplência, pois estas duas linhas exibem taxas de juros elevadas.

Felizmente, a postura das instituições financeiras demonstra que o momento é de consciência social, ou seja, não deve ocorrer um forte enxugamento da oferta de crédito. Um exemplo disso é que as cinco principais instituições associadas à Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) - Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Santander aderiram à prorrogação de dívidas por 60 dias para pessoas físicas, micro e pequenas empresas, com exceção das linhas de cartão de crédito e o cheque especial.

Para pessoas físicas, a prorrogação abrange linhas de empréstimo pessoal, de crédito imobiliário e aquisição de veículos. Para as pequenas empresas, a medida será destinada apenas para financiamento de capital de giro, linha utilizada pelos empreendedores para garantir o fluxo de caixa.

Além disso, ainda este mês entrou em vigor as alterações nas regras dos depósitos compulsórios. Segundo a estimativa do Bacen, as medidas têm potencial de injetar R$ 135 bilhões no mercado, porém isso dependerá das instituições financeiras.  Mas ainda assim é preciso avançar e aí é que as fintechs poderão desempenhar um papel importante.

Embora ainda limitadas por uma capacidade de funding reduzida, baseada fortemente em FIDCs, essas startups financeiras têm utilizado tecnologias inovadoras e modelos de negócios mais flexíveis que as tornam capazes de levar a concessão de crédito de uma forma mais abrangente e democrática não só às PMEs, mas também a pessoas com histórico de crédito inexistente ou com maior dificuldade de comprovação.

Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com a Associação Brasileira de Fintechs, a ABFintechs, na metade das fintechs brasileiras pelo menos 30% dos clientes são formados por pequenos negócios, sendo que em 40% dos casos as MPE são maioria na carteira de clientes. Apenas 10% da fintechs não atende pessoas jurídicas e 84,1% delas demonstraram interesse em desenvolver produtos e serviços específicos às necessidades das micro e pequenas empresas.

Dados de mercado dão conta que, até o mês passado, cerca de 90% das empresas de pequeno porte tinham capital de giro para seu dia a dia, mas não um colchão de liquidez para se proteger.

Deve-se lembrar que o Brasil ainda não conseguiu se recuperar completamente da última crise. Entre 2015 e 2016, o PIB recuou 7,5% e de lá para cá, o crescimento anual ficou ao redor do 1%. Mas isso não quer dizer que o mesmo ocorrerá daqui para frente. A recessão destes anos foi estrutural. O que ocorre agora é uma crise pontual que vem de fora. Nestes casos, a retomada tende a ser bem mais rápida.

Para acalmar o mercado, a autoridade monetária destacou que ainda conta com mais balas na agulha para que as concessões de crédito continuem a apoiar a retomada da economia e assegurar a estabilidade financeira. Fora isso, toda a ajuda será bem-vinda. O momento é de incerteza, mas sem dúvida de união, criatividade e consciência social.

LEIA TAMBÉM.

TECNOLOGIA PODE INCLUIR MILHÕES DE BRASILEIROS NO MERCADO DE CRÉDITO
IA NA ANÁLISE DE CRÉDITO E O AUMENTO DE RENTABILIDADE
3 APLICAÇÕES DE TECNOLOGIA QUE VÃO TRANSFORMAR O MERCADO FINANCEIRO
O USO DE IA NO MERCADO FINANCEIRO
CONSUMIDORES DEVEM FICAR NO CADASTRO POSITIVO

COMPARTILHE