Equipe do CIn-UFPE tem artigos aprovados para conferências internacionais – Centro de Informática UFPE

Grupo apresenta trabalhos nos EUA e na Finlândia

A equipe de séries temporais formado pelos professores do Centro de Informática (CIn)-UFPE Paulo Adeodato e Germano Vasconcelos, além do doutorando Rodrigo Cunha e dos ex-alunos Adrian Arnaud (Doutor) e Domingos Monteiro (Mestre), teve dois artigos internacionais aceitos.

Um escrito, A Systematic Solution for the NN3 Forecasting Competition Problem Based on an Ensemble of MLP Neural Networks, foi aprovado para a International Conference on Pattern Recognition (ICPR-2008), que será realizado na Flórida, EUA, de 4 a 6 de dezembro. Esse evento bi-anual é um dos mais importantes do mundo nas áreas de processamento de imagem e reconhecimento de padrões, sendo conceituado nível A, no Qualis-CC.

O outro, Exogenous Data and Ensembles of MLPs for Solving the ESTSP Forecast Competition Tasks, foi aceito no European Symposium on Time Series Prediction, organizado pelo laboratório de Teuvo Kohonen, um dos cientistas pioneiros em redes neurais no mundo, com patrocínio da International Neural Networks Society, na Finlândia. Esse evento, além das tradicionais séries financeiras, está voltando o foco para a área de meio ambiente. A conferência será realizada entre os dias 17 e 19 de setembro, em Porvoo, Finlândia.

Centro de Informática da UFPE e NeuroTech ganham prêmio mundial – Centro de Informática UFPE

CIn-UFPE, em parceria com empresa pernambucana, foi reconhecida pelo NeuralCaster, software que traz solução para o mercado de ações

A parceria entre o Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn-UFPE), e a NeuroTech, empresa pioneira no uso de inteligência artificial em problemas de análise do perfil de operações de crédito rendeu mais um bom resultado: o prêmio de segundo lugar na NN5 Artificial Neural Network & Computational Intelligence Forecasting Competition. Participaram da competição 40 empresas e instituições de pesquisa de todo o mundo. Esse é o segundo ano consecutivo em que a NeuroTech sai premiada nesse concurso.

O certame foi organizado pelo International Institute of Forecasters (IIF) e pela International Joint Conference on Neural Networks e patrocinada pela Statistical Analysis System (SAS), uma das empresas líderes em Inteligência Artificial no mundo. A idéia da competição era continuar a iniciativa de desenvolver soluções de Inteligência Artificial para o problema de previsão de séries temporais em diversos horizontes de tempo.

A tarefa consistia em prever a quantidade de dinheiro retirado diariamente em 111 terminais de atendimento a clientes de um grande banco que opera na Inglaterra. A solução premiada consistiu em uma combinação via bagging,através do software NEURALCASTER, que torna possível, em um único ambiente, encontrar a indicação das melhores operações de investimento a serem realizadas, realizar a tomada de decisão baseada em maiores retornos com menores riscos, e integrar as respostas do sistema com qualquer ambiente operacional da empresa ou consumidor final.

O projeto foi baseado na expertise de mais de 300 soluções de mineração de dados desenvolvidas pela empresa para os mercados brasileiro e internacional. Em breve, este trabalho estará sendo publicado no prestigioso International Journal of Forecasting.

A premiação ocorreu em cerimônia especial do maior congresso mundial de Inteligência Computacional, o World Congress on Computational Intelligence, realizado este ano em Hong Kong, onde o pesquisador Paulo Adeodato, líder da equipe técnica, apresentou o trabalho e recebeu o prêmio. Além de Paulo, integram a equipe vice-líder da disputa Germano C. Vasconcelos (CIn-UFPE), Adrian Arnaud (NeuroTech), Rodrigo Cunha (NeuroTech) e Domingos Monteiro (NeuroTech).

Informações adicionais podem ser encontradas no site da competição: http://www.neural-forecasting-competition.com/.

Eles têm visão de raio X – Pequenas Empresas e Grandes Negócios

A NeuroTech criou um produto inovador, que traçava o perfil de clientes e dizia se eles eram dignos de crédito. Difícil foi divulgar a novidade.

Por Viviane Maia
Fotos Fabiano Accorsi

Imagine a cena, ocorrida onze anos atrás: uma porção de executivos da rede de supermercados Bompreço assiste a uma apresentação sobre redes neurais e inteligência artificial numa das salas do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), instituto de inovação sem fins lucrativos. Quem discursa sobre a tal inteligência artificial é o professor Germano Vasconcelos, doutor em redes neurais pela Universidade de Kent, na Inglaterra. Vasconcelos explica que a tecnologia permite ao computador simular o funcionamento do cérebro humano, cruzando informações variadas contidas em bancos de dados de forma a concluir algo. Lá pelas tantas, para facilitar o entendimento da teoria, ele cita um exemplo de como a inteligência artificial pode ser útil a um supermercado: com um sistema  assim, dá para saber se um consumidor é bom ou mau pagador e , por tanto, se ele pode ou não receber crédito. “Aquilo gerou um frisson na sala”, diz o professor, ao relatar o episódio. “Todos queriam saber se poderíamos criar um software com essa função.” Naquele instante, ele se deu conta de que estava diante de uma oportunidade de negócio, e que, se a questão afligia um supermercado, também poderia ser a preocupação de muitas outras empresas.

Foi a partir dessa demanda que Vasconcelos e os colegas de universidade Paulo Adeodato, também doutor em redes neurais, e Domingos Monteiro, mestre em inteligência artificial, montaram a NeuroTech, empresa especializada no desenvolvimento de softwares de concessão e gestões de crédito. Hoje, acumulando mais de uma década de estrada, a empresa pernambucana contabiliza a implementação de 50 soluções em grandes companhias e conta com mais de 25 clientes, como Lojas Renner, Leader Magazine, Banco Nordeste e Oi Paggo, entre outros. Em 2007, a empresa faturou R$3,5 milhões e prevê um crescimento de cerca de 20% em 2008.

Com a demanda e a idéia em mãos, os acadêmicos resolveram ser cautelosos em relação ao investimento. Eles se uniram ao Cesar, que também funciona como uma incubadora de negócios e estimula o surgimento de novas empresas a partir de uma solicitação de produtos ou serviços de grandes companhias. “Em troca de infra-estrutura, a instituição tornou-se sócia da NeuroTech”, afirma Monteiro, diretor-executivo. Com isso, segundo ele, o Cesar passou a deter 13% de participação societária do empreendimento.

O primeiro projeto da empresa era desenvolver um programa que fizesse a análise de risco na concessão de crédito aos clientes Hiper-card, cartão de crédito de bandeira do grupo Bompreço. O estudo, feito com aplicação prática, constatou um aumento sensível na aprovação de cadastros de novos clientes, sem crescer a taxa de inadimplência, que já era abaixo da média do mercado. O resultado do projeto convenceu os gestores da empresa que acompanharam o processo. Porém, nenhum dos sócios da NeuroTech contava com o imprevisto: de uma hora para outra, o grupo Bompreço decidiu trocar os executivos da gerência, responsáveis pela tomada de decisão sobre a utilização da tecnologia, o que resultou no engavetamento do projeto. “Em um dia tínhamos um grande cliente; no outro ele não existia mais”, afirma Monteiro.

Nem por isso os sócios desanimaram. O fato de ser uma pequena empresa e de ter um software com uma tecnologia nova, pouco difundida, exigia um trabalho árduo de divulgação. Era difícil convencer os executivos de empresas da área de varejo, financeiras e até o governo de que valia a pena marcar uma horinha para recebê-los. O trio bateu em várias portas até conseguir apresentar o software para os executivos de cartões do grupo paraense Líder. Vasconcelos afirma que, durante a palestra, os sócios explicaram que era possível traçar um perfil do bom pagador e ter o veredicto em percentuais das taxas de risco que um determinado candidato representava. “Mostramos a probabilidade de um cliente pagar ou não as faturas”, diz. A explicação foi convincente para fechar o primeiro contrato e faturar R$60.000 em 2000.

Para Descartes de Souza Teixeira, diretor do Instituto de Tecnologia de Software (ITS), o diferencial da NeuroTech está no uso de uma tecnologia como a inteligência artificial juntamente com a estatística no software de análise e gestão de crédito. “Eles misturam finanças com tecnologia e conseguem ter uma avaliação do cliente baseados no comportamento de compra ou de pagamento por exemplo”, afirma o diretor. “Isso traz mais segurança para a informação das empresas.”

Com alguns contratos fechados aqui e ali e outros ainda em espera, Monteiro diz que todos acreditavam que aquele era o momento de enveredar pelo mercado dos bancos. Parecia uma decisão lógica, já que o software Neuralscorer fazia o que interessava aos bancos: ampliar o acesso ao crédito e reduzir a inadimplência. Mas nem sempre a realidade é tão simples assim. Naquele momento, nenhum banco sediado em São Paulo se interessou. “Éramos uma pequena empresa pernambucana, nova e com um produto diferente. Nem sempre a inovação é aceita rapidamente”, diz o sócio Adeodato, hoje responsável por fazer a ponte entre as novas tecnologias desenvolvidas pela academia e sua aplicação no mercado.

Foi justamente essa capacidade de inovação que aproximou a NeuroTech da empresa Leader Magazine, loja de departamentos nascidas no interior do estado do Rio de Janeiro, que conta atualmente com 28 unidades e administra cerca de 2,5 milhões de cartões de marca própria. Eles se tornaram clientes em 2002 e hoje usam mais três produtos da família Neuralscorer: o Fraudedetector, que identifica furto, perda e clonagem de cartões de crédito; o Neuralcolector, que proporciona a automação das estratégias de cobrança; o Neuralbehavior, versão mais completa do Scorer, que analisa, além do comportamento dos futuros clientes, os atuais que estão ativos na carteira. “Os softwares trouxeram mais agilidade, rentabilidade e transparência para a empresa “, afirma Gisele Antunes, diretora da Leader Magazine. “Conseguimos melhorar a taxa de aprovação de crédito em 38%, um crescimento bem interessante. ”

Empresa 2.0

A NeuroTech também tropeçou no sistema de formação do preço. No começo, comercializava o software a partir da licença, cobrando R$80.000 por ela, sem limite de usuários, e mais R$2.500 por mês para o contrato de manutenção, que incluía a atualização das versões. Esse modelo de cobrança, até então praxe no mercado de software, foi usado no final de 2002, ano em que a empresa faturou R$250.000. Então, naquele ano, segundo Monteiro, durante a discussão de planejamento estratégico para 2003, caiu a ficha: “Se tudo o que estava programado desse certo com aquele modelo de remuneração, os sócios teriam problemas para cobrir os custos relativos à manutenção dos clientes e o lucro seria quase nada”, diz.

O jeito foi pensar em uma nova forma de fixar valores pelos softwares e serviços prestados. A empresa, que já acumulava 14 clientes, decidiu que a remuneração da NeuroTech estaria atrelada aos ganhos proporcionados aos clientes com o uso dos softwares.Monteiro explica que o sistema gera um relatório que estima quanto a empresa deve ganhar em decorrência da diminuição da inadimplência, caso utilize o software da NeuroTech. “Passamos a pedir uma porcentagem em cima desse ganho”, diz ele. Em 2004, com o novo modelo de remuneração adotado, veio o primeiro contrato com a empresa Telecheque.

Desde então, o crescimento tem sido consistente. Há dois anos os estagiários Adrian Arnaud, doutor em inteligência artificial, e Rodrigo Cunha, mestre nessa área, saíram do time de 35 funcionários e se tornaram sócios. Arnaud é responsável pela área de desenvolvimento de softwares, enquanto Cunha cuida do pós-venda e da implantação do produto nas dependências do cliente. “Tivemos a NeuroTech 1.0, que operava com venda de licenças e manutenção. A NeuroTech 2.0 atua através de participação nos resultados. Nossa idéia é transformá-la em 3.0, adaptando nossa estrutura e nossa tecnologia para atender os pequenos varejistas”, afirma Cunha. “E, para isso, haja trabalho!”

NeuroTech apresenta solução para o mercado de ações – Conceito Digital

Pelo quarto ano consecutivo, a NeuroTech, empresa especializada em soluções para análise de risco de crédito e operações financeiras, marca presença no Congresso e Exposição da Informação das Instituições Financeiras – XVIII Ciab FEBRABAN, evento que será realizado em São Paulo, entre os dias 11 e 13 de junho. Dessa vez, a NeuroTech apresenta o NEURALCASTER, um sistema inédito de análise do perfil de carteiras de investimentos. O software avalia individualmente cada ativo no mercado de capitais e constrói soluções para ajudar a maximizar o retorno dos recursos investidos.

“O NEURALCASTER é um software que permite a investidores, bancos, corretoras e instituições do mercado distribuir seus recursos financeiros de forma a superar as expectativas dos clientes, identificando e selecionando os ativos mais adequados a cada perfil de investidor”, afirma o diretor executivo da NeuroTech, Domingos Monteiro. Como resultado, os clientes do NEURALCASTER terão um apoio para multiplicar os seus patrimônios.

A NeuroTech se dedicou, nos últimos três anos, à pesquisa e concepção de uma solução baseada em inteligência artificial e redes neurais, unindo técnicas matemáticas e estatísticas, para a análise de decisões de investimento no mercado de capitais. A partir desses esforços, surgiu o NEURALCASTER, um software premiado em competições mundiais.

Em uma delas, realizada em Nova Iorque no ano passado, a NeuroTech competiu com 50 equipes do mundo inteiro e, com o NEURALCASTER, alcançou o posto de segunda colocada. O desafio consistia em prever, com 18 meses de antecedência, os valores futuros de um conjunto de 111 séries referentes a dados mensais do mercado. A solução que obtivesse a menor margem de erro na previsão seria a vencedora.

Com a plataforma NEURALCASTER é possível, em um único ambiente, encontrar a indicação das melhores operações de investimento a serem realizadas, realizar a tomada de decisão baseada em maiores retornos com menores riscos, e integrar as respostas do sistema com qualquer ambiente operacional da empresa ou consumidor final.

A NeuroTech – Instalada no Porto Digital, em Pernambuco, é uma empresa pioneira no uso de inteligência artificial em problemas de análise do perfil de operações de crédito, detecção de fraudes, auditorias em bases de dados, escalonamento de cobranças, análise de perdas comerciais, database marketing, entre outros. Foi criada a partir do desenvolvimento de uma plataforma tecnológica resultado de mais de dez anos de experiência, tanto em pesquisa científica quanto na solução de problemas reais. Redes neurais, sistemas fuzzy, algoritmos genéticos, técnicas estatísticas e lógica simbólica são as principais tecnologias utilizadas pela empresa.

Espaço Inovação seleciona 24 empresas – Convergência Digital (maio/2008)

Foram selecionadas as 24 empresas que integrarão o Espaço Inovação, durante o Ciab Febraban 2008. O ITS – Instituto de Tecnologia de Software, em parceria com a Federação Brasileira de Bancos realizará um estande coletivo que apresentará tecnologias inovadoras desenvolvidas para o setor financeiro. O evento acontece entre os dias 11 e 13 de junho, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Esta quarta edição do Espaço Inovação reunirá: 4Linux, Ai Leader, Fiveware, BRToken, Comprova.com, CGeS, DWS, e-SEC, E-VAL, FRT Informática, Genia Tecnologia, Global e-Secure, Grupo HDI, Hexa Solution, IDM, Business and Solutions, Mobiltec, Navita, Neurotech, SCA, SDC, SIRSAN, Solusoftware, e XCORP.

Toda a infra-estrutura necessária para apresentação dos produtos e logomarcas será disponibilizada para as pequenas empresas que também participarão da coletiva organizada pela FEBRABAN e outros meios de divulgação à imprensa. Eles terão ainda a oportunidade de realizar uma palestra durante o CIAB no Espaço Inovação, além de outras atividades.

As empresas participantes foram escolhidas pelo comitê de avaliação formado por Adalberto reis (Serasa), Antônio Carrara (Consultor), Edson Carvalho (Universidade Federal de Pernambuco), Gabriel Marão (Perception) John Forman (Softex), José Vidal Bellinetti (ITS), Luis Azevedo (Hint Consultoria), Marcelo Romeiro (Rio Bravo Investimentos), Nizam Omar (Mackenzie), Paulo Cherbele (Consultor), Paulo Cesar Faria (Consultor), Sidney Chameh (DGF), Vanda Scartezini (ALTIS), e Vilmar Votre (Mackenzie).

No total, o Espaço Inovação já beneficiou 51 start-ups, proporcionando a elas a oportunidade de apresentar a sua marca no principal evento e fórum de discussão de Tecnologia da Informação da América Latina, e desenvolver novos projetos promissores por meio de parcerias fechadas com grandes companhias investidoras.

O principal objetivo do Espaço Inovação, criado em 2005 pela Febraban, é incentivar o desenvolvimento de tecnologias e serviços inovadores para o setor financeiro através de empresas brasileiras de pequeno e médio porte.

Retrospectiva 2007 / Perspectiva 2008 – Revista Cadrnews (jan/2008)

Soluções tecnológicas garatem crédito mais seguro – Revista CardNews (out/2007)

Técnicas como inteligência artificial trazem benefícios significativos para análise de risco de crédito.

A oferta de crédito nunca esteve tão aquecida no Brasil. Segundo dados do Banco Central, o volume total de crédito dobrou nos últimos quatro anos, atingindo R$ 799,2 bilhões. Esse movimento tem repercutido não apenas junto às instituições financeiras, mas também junto a empresas que desenvolvem soluções para o setor. A NeuroTech, especializada em soluções para análise de risco de crédito que utilizam tecnologias como inteligência artificial e redes neurais, vem sendo positivamente influenciada por essa demanda aquecida. “Ainda nem acabamos o ano e já atingimos 150% da meta de novas contratações”, contabiliza Domingos Monteiro, diretor-executivo da empresa. Até junho deste ano, a empresa já atingiu o faturamento do ano passado e mantém a projeção de um crescimento de 100% para 2007.

Com soluções reconhecidas dentro e fora do país, a empresa possui na sua carteira de clientes grandes redes varejistas que estão em franca expansão. “Quando somamos o aumento da demanda dos nossos clientes, devido a inauguração de lojas, juntamente com os novos contratos, temos um impacto fenomenal na utilização dos nossos produtos”, complementa Monteiro, apontando que, em 2007, a média de consultas mensais praticamente triplicou. ´

Empregando técnicas de Inteligência Artificial, dentre as quais Redes Neurais, A NeuroTech tem trazido benefícios significativos para a análise de risco de crédito de diversas instituições no Brasil e exterior e foi destaque no 17ª CIAB – Febraban 2007, principal vitrine de TI para o mercado financeiro, que aconteceu em junho último, onde recebeu o prêmio Inovação, concedido pela Febraban. A NeuroTech também foi destaque na 11º Pacific-Asia Knowledge Discovery and Data Mining (PAKDD) Competition, promovida pelo Instituto de Estatística de Singapura.  Participaram da competição 250 empresas, centros de pesquisas e universidades de todo o mundo. O desafio era apresentar uma solução para um problema de database marketing envolvendo uma base de clientes de cartão de crédito. Dentro desse universo, os participantes deveriam apontar os clientes que estariam pré-dispostos a contratar propostas para financiamento imobiliário. “Fomos vice-campeões, superando até mesmo os vencedores das edições anteriores”, destaca Monteiro.

A maior valorização, no entanto, a empresa vem recebendo dentro do Brasil, mais especificamente, dentro da sua própria base de clientes. “Nosso principal desafio é reduzir a inadimplência e ampliar a oferta de crédito e nossa tecnologia tem dado margens muito seguras aos nossos clientes”, explica. Entre as tecnologias utilizadas pela NeuroTech, estão as baseadas em Inteligência Artificial, Redes Neurais, Sistemas Fuzzy, Algoritmos Genéticos, Técnicas Estatísticas e Lógica Simbólica. “ Nossas soluções são capazes de avaliar centenas de variáveis e dão o suporte necessário para a tomada de decisão baseada em resultados”, complementa.

As soluções também se mostram muito úteis para campanhas de marketing. “O perfil do consumidor é constantemente avaliado. Dessa forma, o sistema indica que produto é mais indicado para cada cliente e se este está propenso ou não a adquiri-lo”, afirma.

No total, a NeuroTech trabalha com uma dezena de soluções voltadas para setores como mercado financeiro, utilities, varejistas, seguradoras, serviços e governo. Os sistemas analisam risco de novos clientes com qualidade, risco de crédito de antigos e novos clientes, alertam sobre a possibilidade de fraude, identificam os perfis de dívidas e estimam a chance de sucesso na cobrança. Também ajudam a definir o produto certo para cada cliente, entre outras funcionalidades. “Não são apenas ferramentas para análise de risco de crédito. Também são muito úteis para ações de marketing”, define Domingos Monteiro.

Instalada no Porto Digital, em Pernambuco, a NeuroTech é uma empresa pioneira no Brasil no emprego de técnicas de inteligência artificial para a descoberta de conhecimento em bases de dados. Atualmente, a NeuroTech atende a vários bancos no Nordeste, Sul e Sudeste, redes varejistas do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Norte/Nordeste, além de desenvolver soluções para empresas do setor elétrico, distribuidoras de combustíveis e Governo.


Mudança de Foco – Negócios PE (out/2007)

Por Drayton Nejaim
Fotos de Chico Barros

A Neurotech, empresa pernambucana de soluções situada no Porto Digital, descobriu que sua principal competência não era vender tecnologia e sim ampliar o lucro do negócio dos clientes. Vamos entender melhor essa história?

A empresa começou como um projeto de pesquisa em 1997 dentro do C.E.S.A.R. (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), empresa pernambucana que surgiu em 1996 dentro do Centro de Informática da UFPE com o objetivo de manter no estado os talentos produzidos na área de tecnologia da informação, sustentada inicialmente por empresas mantenedoras que se beneficiavam das soluções desenvolvidas na área.

Para entender melhor, é preciso explicar a lógica de funcionamento do C.E.S.A.R. na época: o mercado sugeria uma demanda; a empresa recorria ao centro de Info da Universidade para “recrutar” profissionais que pudessem pesquisar a resolução do problema; formava-se uma equipe para desenvolver a solução baseada no uso de tecnologia; se o resultado fosse bom, transformava-se a tecnologia em um produto/negócio. Era essa a lógica.

E foi exatamente assim que aconteceu. Germano Vasconcelos, um dos fundadores da Neurotech, acabara de voltar do seu Doutorado em Redes Neurais (uma das áreas de pesquisa dentro da Inteligência Artificial, que se concentra em reproduzir na computação, através do uso de algoritmos, o funcionamento do cérebro humano) e proferiu uma palestra sobre o assunto para um conjunto de executivos.

A apresentação motivou um questionamento por um dos presentes, um profissional do Bompreço: “Será que se pode usar a tecnologia de redes neurais para análise do risco de crédito no Brasil?”. Com essa pergunta, nascia o embrião da Neurotech, a partir da criação de um grupo de pesquisa para desenvolver um projeto que resultasse na resposta à questão.

O time de consultores era formado, além de Germano, por Paulo Adeodato, com Doutorado também em Redes Neurais, e Domingos Monteiro, Mestre em Inteligência Artificial. O projeto durou dois anos e foi desenvolvido tomando como base a aplicação da tecnologia à análise de risco na concessão de crédito aos clientes Hipercard.

O estudo feito com aplicação prática verificou um aumento substancial na aprovação de cadastros de novos clientes, sem aumento na inadimplência que já era abaixo da média do mercado. O resultado do projeto convenceu amplamente os gestores da empresa que acompanharam o processo. Porém, uma troca de executivos na gerência que detinha o maior poder de decisão sobre a utilização da tecnologia “melou” a negociação. Moral da história: o 1º cliente da Neurotech não foi o Hipercard.

Tibério Siqueira, um dos diretores da CSI, empresa pernambucana de softwares para automação de lojas varejistas, conhecia o projeto e comentou com um executivo do Pará que veio ao Recife conhecer a solução.

Após uma explanação, João Augusto Rodrigues, diretor de cartões do grupo paraense Líder, fechou negócio, criando a necessidade de se formalizar a empresa. Nascia em fevereiro de 2000 a Neurotech como uma unidade de negócios do C.E.S.A.R., sócia da nova empresa junto com os três consultores.

A 1ª lição

Paulo Adeodato, Adrian Arnaud e Rodrigo Cunha: busca pela sintonia.

A empresa, em seu primeiro ano, não tinha funcionários e faturou R$60 mil. Com o contrato com o Líder, os novos empreendedores acharam que vender a solução aos bancos seria uma conseqüência natural, já que o Neuralscorer (nome do produto) fazia o que interessava aos bancos: ampliar o acesso ao crédito e reduzir a inadimplência. Ledo engano. Naquele momento, nenhum banco sediado em São Paulo se interessou. Afinal, uma empresa pernambucana, nova… Enfim, aquele não era o momento.

Em 2001, a Neurotech foi selecionada no Fórum Econômico Mundial como uma empresa com alto potencial de desenvolvimento. O prêmio vinha na forma de consultoria internacional (U$ 300 mil em horas) da KPMG e Accenture, duas gigantes do setor. Bom para a experiência, ruim para o bolso. Os consultores vieram, estudaram e referendaram um modelo de negócio que se mostraria ineficaz.

Nessa época, o modelo de negócios era baseado na venda da licença para uso da ferramenta (R$ 80 mil para toda a empresa) mais o contrato de manutenção, que incluía a atualização das versões, a qual custava R$2.500 mil/mês.

No Início de 2002, foram lançados mais três produtos da família Neuralscorer. O Fraudedetector, que identifica furto, perda e clonagem de cartões de crédito; o Neuralcolector, que proporciona a automação das estratégias de cobrança; e o Neuralbehavior, versão mais completa do Scorer, que analisa, além do comportamento dos clientes futuros, os atuais que estão ativos na carteira.

O modelo tradicional na remuneração do uso de soluções tecnológicas foi usado até o final de 2002, ano em que a empresa faturou R$250 mil. Na discussão do planejamento estratégico para 2003, “caiu a ficha”. Se tudo que estava programado desse certo com aquele modelo de remuneração, a empresa teria problemas para cobrir os custos relativos à manutenção dos clientes e o lucro seria pífio.

Aquele foi um ano difícil, onde se operava no modelo antigo e se discutia o modelo novo. Um contrato foi fundamental para gerar caixa. A Celpe contratou a empresa por R$300 mil para desenvolver uma solução que monitorasse falhas no sistema elétrico, o Neuralalarm. Hoje, com a solução implantada e amadurecida, o produto tem a Celpe como sócia e está em fase de prospecção.

O novo modelo de remuneração

A partir dessa constatação, a empresa, que já acumulava 14 clientes no modelo antigo, decidiu que a remuneração da Neurotech estaria atrelada aos ganhos proporcionados pela solução – ou seja, ao invés de colocar o foco do faturamento no início da relação, a proposta passava a ser de parceria nos resultados. Em 2004, com o novo modelo de remuneração adotado, veio o 1º contrato com a empresa Telecheque.

O acordo operacional fechado para o uso do Neuralscorer remunerava numa porcentagem de dois dígitos sobre o RFA (Receita Financeira Adicional), o que significava ter que ampliar a geração de negócios com diminuição do risco de inadimplência. Nessa época, foi contratado um executivo em São Paulo para voltar a prospectar oportunidades no mercado financeiro.

Nesse mesmo ano, a solução foi aceita, de forma exclusiva, por um dos três maiores bancos do país, para um piloto na carteira de crédito pessoal. Após um ano de testes, um relatório conjunto atestou que, caso a solução estivesse em uso, o ganho adicional da instituição teria sido de R$1 bilhão. Animada, a Neurotech pediu ao banco 10% de participação no resultado. Proposta negada. A empresa reformulou a proposta para R$6milhões. Nada feito. Veio a contraproposta, R$50 mil. Não precisa nem dizer, a negociação esfriou.

Crescimento e Maturidade

Domingos Monteiro e Germano Vasconcelos: eles querem ganhar o mundo.

Em 2005, aconteceu uma expansão significativa da base de clientes dentro do novo modelo. Chegaram contratos com a distribuidora de combustível SAT, Banco do Nordeste e CDL Porto Alegre. 2006 foi a vez do Banco Mundial, Prefeitura da Cidade do Recife, grupo financeiro Séculus e o OI Pago, cartão de crédito virtual que usa o celular para compras via tecnologia SMS. Em 2007, contratos com as Lojas Renner e a Cia. Elétrica do Ceará dão fôlego à trajetória ascendente da empresa.

Na estrutura organizacional da Neurotech, Germano Vasconcelos é um dos sócio-fundadores e o diretor de projetos. Cabe a ele identificar demandas no mercado, preparar projetos para obtenção de financiamentos e acompanhar a aplicação dos recursos e o cronograma de desenvolvimento.

Adrian Arnaud, Doutor em Inteligência Artificial, ingressou na empresa em 2001, tornando-se sócio em 2006. Ele dirige a área de desenvolvimento de softwares. Rodrigo Cunha, Mestre em Inteligência Artificial, entrou em 2002. Ganhou participação societária junto com Arnaud e responde pela diretoria que cuida da pós-venda e implantação do produto no cliente

Juntos com Paulo Adeodato, sócio-fundador e cientista-chefe que faz a “ponte” entre as novas tecnologias desenvolvidas pela academia e sua aplicação para o mercado, eles têm a missão de promover a sintonia do mix de produtos desde seu conceito até a construção da solução e sua implantação nos clientes.

Domingos Monteiro é o terceiro sócio-fundador e responde pela diretoria-executiva, cargo que acumula com a diretoria de negócios, vaga até o momento. A ele, estão ligadas todas as outras diretorias.

Com uma família de produtos com alto grau de segmentação e um time amadurecido, a Neurotech parece ter superado a fase de “se fazer acreditar” medida pela demanda espontânea do mercado para seus produtos. Com 30 colaboradores, a empresa tem hoje um problema que atinge todo o pólo de tecnologia de Pernambuco: mão-de-obra especializada.

Este problema pode comprometer sua curva de crescimento, porque é conjuntural. No caso da Neurotech, o fato de ter um vínculo via C.E.S.A.R. com um centro de talentos dentro da UFPE pode ser um atenuante.

A empresa estima fechar seu faturamento de 2007 em R$3,5 milhões. Em relação aos planos daqui pra frente, Domingos traça um paralelo com a Internet: “Tivemos a Neurotech 1.0, que atuava com venda de licenças e manutenção. A 2.0 atua através de participação nos resultados. Para o futuro, queremos que o acesso a serviços oriundos da nossa tecnologia atinja de forma massificada os pequenos varejistas que não podem comprar hoje a nossa solução. Já estamos trabalhando nessa direção. Quando conseguirmos, entraremos na fase da Neurotech 3.0”, finaliza Domingos. Alguém duvida que eles cheguem lá?